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Por que o Mato Grosso do Sul precisa discutir a Reestatização da Energia?

Publicada em: 13/04/2026 07:15 -

 
Nos últimos anos, o consumidor sul-mato-grossense passou a conviver com uma contradição insustentável: pagamos uma das tarifas de energia mais caras do país para receber um serviço que, ao primeiro sinal de chuva, nos deixa no escuro. Diante desse cenário de precariedade e custo abusivo, surge uma pergunta necessária: o modelo de privatização falhou?
O custo que não cabe no bolso

A energia elétrica deixou de ser um item de consumo básico para se tornar um luxo pesado no orçamento das famílias e das pequenas empresas de Mato Grosso do Sul. Mesmo vivendo em um estado que é peça-chave na geração de energia para o país, a população não vê esse benefício refletido na conta. Pelo contrário, os reajustes anuais superam a inflação e corroem o poder de compra do cidadão, enquanto os lucros das concessionárias privadas seguem protegidos por contratos blindados.
Eficiência ou Negligência

O argumento central da privatização sempre foi a eficiência. No entanto, a realidade prática mostra o oposto. Basta o céu escurecer e caírem as primeiras gotas de chuva para que bairros inteiros e zonas rurais fiquem sem eletricidade. A falta de investimento em manutenção preventiva, poda de árvores e modernização da rede é evidente. A sensação é de que a lógica do lucro máximo sobrepôs-se à lógica da prestação de serviço essencial.
A Reestatização como Alternativa

Propor a reestatização do fornecimento de energia não é um retrocesso, mas um ato de soberania e defesa do consumidor. Um modelo estatal, ou de economia mista sob controle rigoroso, permitiria que o superávit fosse reinvestido diretamente na infraestrutura local e na redução das tarifas, em vez de ser distribuído como dividendos para acionistas distantes da nossa realidade.
Ter o controle do setor elétrico significa ter uma ferramenta estratégica de desenvolvimento econômico. Com energia barata e estável, atraímos indústrias, fortalecemos o agronegócio e garantimos dignidade para a população urbana.
Conclusão

Mato Grosso do Sul não pode continuar refém de um serviço caro e instável. O debate sobre a encampação ou reestatização do setor elétrico precisa entrar na pauta da Assembleia Legislativa e do Governo do Estado. A energia é um direito essencial e não pode ser tratada apenas como uma mercadoria onde o povo paga a conta e as empresas levam o lucro, deixando-nos à luz de velas.
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