Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro e um dos principais financiadores das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, teria sido beneficiado com repasses que somam R$ 485 milhões provenientes da Super Empreendimentos. A empresa está sob investigação da Polícia Federal por suspeita de atuar como braço financeiro de uma suposta milícia privada ligada ao Grupo Master e de intermediar pagamentos a agentes públicos. A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.
De acordo com a publicação, as transferências ocorreram entre julho de 2022 e janeiro de 2026. Somente no ano passado, Zettel recebeu R$ 160 milhões da empresa, divididos em 264 transações. Os valores mensais mais expressivos foram registrados entre fevereiro e abril, com repasses de R$ 5 milhões cada. Zettel, que é pastor afastado da Igreja Batista da Lagoinha, é apontado pelas autoridades como peça-chave na articulação e execução de pagamentos ligados a possíveis irregularidades do Banco Master.
As investigações da PF analisam trocas de mensagens entre ele e Daniel Vorcaro que mencionam ordens de pagamento e alusões a transações financeiras envolvendo políticos. Zettel teve a prisão preventiva decretada na terceira fase da operação Compliance Zero, assim como Vorcaro.
Principal doador de Bolsonaro e Tarcísio em 2022
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que Fabiano Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo e de Jair Bolsonaro à reeleição presidencial naquele ano. Ele destinou R$ 2 milhões à chapa estadual e R$ 3 milhões à federal, valores superados apenas pelas contribuições partidárias feitas com recursos do fundo eleitoral.
Casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, Zettel já integrou a diretoria da Super Empreendimentos — empresa que também aparece em investigações sobre o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro por organizações criminosas. Atualmente, ele é fundador e CEO da Moriah Asset, gestora de investimentos focada em participações em empresas de capital fechado.
Empresa integrava esquema financeiro do Master, segundo investigação
A Super Empreendimentos é apontada como peça central na engenharia financeira usada para movimentar recursos desviados do Banco Master. De acordo com a PF, a empresa era utilizada para contrair empréstimos fraudulentos junto à instituição, que depois eram repassados a fundos de investimento, permitindo ao banco limpar seu balanço.
Parte do dinheiro era empregada na aquisição de bens e na manutenção de uma rede de fundos que desviava recursos e, em um movimento circular, realimentava o próprio Master por meio da compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
A Super também teria servido para o pagamento de propina a dois ex-servidores do Banco Central investigados no esquema: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do departamento de supervisão bancária. Em decisão no âmbito do caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que ambos atuavam como consultores privados de Vorcaro para questões relacionadas ao BC e recebiam valores ilícitos por essa atuação.
No nome da Super Empreendimentos está registrada uma mansão avaliada em R$ 36 milhões, localizada em Brasília, onde o banqueiro recebeu figuras políticas como o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos). Em sua declaração à Receita Federal, Vorcaro informou ter feito pagamentos de R$ 68 milhões à empresa em 2023, referentes à quitação de dívidas relacionadas à compra de imóveis e outros investimentos.
O ministro André Mendonça determinou ainda a suspensão das atividades da Super Empreendimentos, destacando que a empresa também foi usada para remunerar o grupo apelidado de “A Turma”, responsável por monitorar e pressionar adversários do banqueiro ou pessoas envolvidas nas apurações sobre o banco.