DOURADOS: E SE O PROBLEMA NÃO ESTIVER APENAS NA CIDADE, MAS EM NÓS?
Dourados cresce, se movimenta, constrói, reclama, elege, protesta e segue adiante; mas existe uma pergunta incômoda que quase nunca aparece nas manchetes: que tipo de cidade estamos ajudando a construir todos os dias? É fácil apontar o dedo para o político, para o empresário, para o vizinho, para a prefeitura, para a oposição ou para […]

Dourados cresce, se movimenta, constrói, reclama, elege, protesta e segue adiante; mas existe uma pergunta incômoda que quase nunca aparece nas manchetes: que tipo de cidade estamos ajudando a construir todos os dias? É fácil apontar o dedo para o político, para o empresário, para o vizinho, para a prefeitura, para a oposição ou para “a sociedade”; difícil é reconhecer que uma cidade também é o reflexo silencioso da consciência de quem a habita. Quando normalizamos o pequeno abuso, a pequena mentira, o desrespeito à coisa pública, a indiferença diante do sofrimento alheio e o conformismo diante daquilo que sabemos estar errado, não somos apenas espectadores — participamos da paisagem. Talvez Dourados não precise somente de novas obras, novas promessas ou novos discursos; talvez precise de cidadãos dispostos a fazer uma pergunta muito mais perigosa: “O que, em mim, continua alimentando aquilo de que tanto reclamo?” Porque uma cidade pode trocar seus prefeitos, suas placas, seus prédios e suas administrações, mas continuará carregando a mesma consciência coletiva enquanto seus habitantes não tiverem coragem de questionar os próprios condicionamentos. E é justamente aí que começa o verdadeiro choque: talvez a transformação que Dourados espera não esteja chegando pela estrada — talvez esteja esperando dentro de cada um de nós.
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