Empossado nesta terça-feira como novo presidente da Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso do Sul), Juliano Wertheimer afirmou que considera superada a disputa eleitoral vencida por apenas um voto e disse que pretende governar para todos os sindicatos da base, inclusive os que apoiaram a chapa adversária.
A declaração foi dada durante coletiva no Senac Hub, em Campo Grande, depois da posse que marcou o fim da gestão de Edison Araújo, que comandava a entidade havia 16 anos.
A eleição ocorreu em 12 de maio. A chapa “Renovação”, liderada por Juliano, venceu por 8 votos a 7 a chapa “Consolidação”, encabeçada por Edison, que tentava continuar à frente da federação. O resultado, porém, passou a ser contestado por três sindicatos, que pedem a suspensão do pleito na Justiça e apontam supostas irregularidades envolvendo filiação, cadastro, inadimplência, CNPJ e dupla filiação de entidades que participaram da votação.
Questionado sobre a crise interna, Juliano negou que a eleição tenha ocorrido sob condição judicial pendente e afirmou que os 15 sindicatos votaram em igualdade de condições. “Apesar do discurso até aqui ser de eleição sub judice, não tinha nada sub judice. Sub judice é dizer: ‘olha, o Juliano vai votar separado e depois nós vamos ver se o voto dele vale’. Mas não aconteceu. Os 15 sindicatos votaram em pé de igualdade, todos na mesma caixinha. Se abriu e se revelou o resultado”, afirmou.
Segundo o novo presidente, houve nove decisões judiciais relacionadas ao processo eleitoral, todas, na avaliação dele, favoráveis à validade do pleito. “Foram nove decisões favoráveis à democracia, favoráveis ao pleito legítimo e favoráveis a permitir que todos votem. Eu tenho um grande orgulho de dizer: vencemos no voto. A briga foi apenas para podermos votar”, disse.
Para Juliano, a disputa não pode contaminar o funcionamento da federação. “Mesmo tendo ganho no voto, acho que tem que ter depois disso uma questão de harmonia, porque no dia seguinte estamos todos juntos e temos pelo menos quatro anos pela frente para construir juntos. Eu preciso trabalhar pelos que votaram em mim e pelos que não votaram. Nem o sindicato, muito menos a cidade, pode ser penalizada por uma disputa que envolveu 15 pessoas”.
DA PORTA PARA FORA
Na coletiva, Juliano afirmou que a gestão anterior fez um trabalho consistente de estruturação interna do sistema, especialmente no Sesc (Serviço Social do Comércio) e no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). Para os próximos quatro anos, disse que a proposta é ampliar o foco nos empresários, nos sindicatos da base e no desenvolvimento econômico.
“A gente só constrói o futuro olhando para o passado. Hoje tivemos uma apresentação do ex-presidente com as realizações dos últimos 16 anos e houve um trabalho muito consistente da porta para dentro, estruturando o Senac e o Sesc. Hoje somos os maiores formadores de mão de obra técnica e profissional do Estado. Mas agora a gente vai ter uma gestão com olhar da porta para fora, focada no empresário, no desenvolvimento econômico e principalmente nos sindicatos da base”, afirmou.
Segundo ele, a federação será comandada de forma compartilhada. “Os sindicatos não fazem parte da federação, eles são a federação em si. Então, o que vocês podem esperar é uma gestão compartilhada. Nós vamos governar juntos, ouvindo muito as pessoas, indo às regiões, interiorizando as nossas ações e principalmente com foco no desenvolvimento econômico e nos empresários que alimentam o sistema”.