Há 24 anos, a Organização Mundial da Saúde instituiu o Dia Mundial da Atividade Física. A data, celebrada hoje, nunca foi tão urgente – nem tão contraditória.
Enquanto relógios inteligentes e aplicativos de treino batem recordes de downloads, a Organização Pan-Americana da Saúde alerta: um em cada três adultos no mundo permanece sedentário. O Brasil, segundo dados de 2025, supera essa média: 42% da população não pratica o mínimo recomendado de 150 minutos semanais de atividade moderada.
“Ganhamos tecnologia, perdemos deslocamento”, resume a fisiologista Carla Mendes, pesquisadora da USP. “As pessoas monitoram passos, mas mal saem da cadeira para pegar água.”
O paradoxo se aprofunda nas cidades. São Paulo, por exemplo, ampliou ciclovias em 18% desde 2024, mas o número de ciclistas no transporte diário caiu 7% no mesmo período. “Infraestrutura não basta sem cultura e segurança”, critica o urbanista Ricardo Faria.
Há, porém, sinais de mudança silenciosa. Academias ao ar livre em bairros periféricos de Fortaleza e Belém registraram aumento de 35% na frequência matinal entre idosos. Empresas como a Magazine Luiza e o Itaú Unibanco adotaram “pausas ativas obrigatórias” de 10 minutos a cada duas horas – política que reduziu afastamentos por dores nas costas em 22%.
A OMS reforça: o movimento não exige maratonas. Subir escadas, dançar enquanto cozinha ou caminhar até o mercadinho local já contam. O desafio de 2026 é desatar o nó entre informação e ação.
Neste 6 de abril, especialistas fazem um apelo seco e direto: “Pare de medir. Comece a fazer. Hoje.”