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1º de Abril: o dia em que a mentira tira a máscara — ou a coloca melhor

Publicada em: 01/04/2026 07:36 -

 

Por um dia, o mundo admite o que pratica o ano inteiro.

No chamado Dia da Mentira, as pessoas riem, pregam peças, inventam histórias absurdas — e chamam isso de brincadeira. Mas a ironia é deliciosa: justamente hoje, quando todos sabem que podem ser enganados, há mais consciência do que nos outros 364 dias, quando a mentira circula elegante, bem vestida, com crachá corporativo e discurso político.

A mentira cotidiana não usa nariz de palhaço. Usa gravata.

O 1º de abril funciona como um espelho distorcido, mas revelador. Ele escancara algo simples e desconfortável: mentir não é exceção — é método. Está nos discursos públicos, nas redes sociais cuidadosamente editadas, nos “estou bem” automáticos e nas promessas que ninguém pretende cumprir.

E então, por algumas horas, tudo vira jogo.

Mas talvez a verdadeira provocação deste dia não seja rir do engano alheio. Seja perceber o quanto nos acostumamos a viver dentro de pequenas ficções pessoais — histórias que contamos a nós mesmos para evitar o silêncio, esse lugar perigoso onde a verdade não pode ser maquiada.

Porque a maior mentira não é a que você conta para os outros.

É a que você repete para si mesmo, até virar identidade.

O curioso é que, quando a mentira é assumida como brincadeira, ela perde poder. Quando é negada, vira sistema. Talvez por isso o 1º de abril tenha algo de libertador: por um instante, todos sabem que estão no teatro.

E quem sabe, nesse breve momento de lucidez disfarçada de humor, alguém perceba: não é o mundo que mente.

Somos nós — com uma criatividade impressionante e um medo ainda maior de encarar o que é real.

Feliz Dia da Mentira.

Ou, se tiver coragem… feliz Dia da Verdade escondida.

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