João Gabriel Vilalba
Capital News
Um dos clubes mais tradicionais do futebol sul-mato-grossense, o Ubiratan Esporte Clube, foi fundado em 1947 em Dourados-MS, deve ficar ainda mais distante das competições oficiais. Atualmente, o clube tem colhido bons resultados ao apostar nas escolinhas de base.
Conhecido carinhosamente como “Leão da Fronteira”, o Ubiratan conquistou os títulos estaduais de 1990, 1998 e 1999 — este último de forma invicta — e também se destacou no cenário nacional ao disputar competições nas divisões superiores do futebol brasileiro, disputou na Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro Série C. Sua última conquista foi a segunda divisão do Estadual de 2013.
A realidade, no entanto, é outra neste momento. Devido a problemas financeiros e jurídicos, o tradicional clube de Dourados tem direcionado seus esforços para as categorias de base, em busca de um futuro mais sustentável.
Durante a semana, o Capital News entrou em contato com o presidente do clube, Joaquim Soares, para saber sobre a possibilidade de participação no Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série B. O dirigente foi enfático ao afirmar que o Ubiratan não deve retornar tão cedo ao futebol profissional.
“Nas ruas, recebo muitos questionamentos sobre o retorno do Ubiratan. Hoje, é difícil tomar essa decisão por causa da nossa situação financeira. O futebol é caro e não temos estrutura para isso”, afirmou.
Segundo Soares, dificuldades do passado ainda impactam o clube.
“Tivemos parcerias no passado que deixaram dívidas gigantescas, e até hoje não conseguimos quitá-las. Ainda temos um patrimônio valioso e precisamos ter cuidado para não acumular novas dívidas, o que pode prejudicar ainda mais a história do clube”, explicou.
O presidente também destacou que a dificuldade é agravada por problemas de estrutura no município. A precariedade do Estádio Frédis Saldivar, o Douradão, afasta possíveis investidores, mesmo com avanços logísticos, como a ampliação das conexões aéreas com São Paulo.
“Para voltarmos a competir, precisamos pensar em tudo. Olha o estádio como está precário. Fica difícil conversar com empresários sem apoio ou melhorias no esporte local. Só voltaremos ao futebol profissional quando surgir um investidor seguro, com projeto claro, credibilidade e capacidade de cumprir seus objetivos”, ressaltou.
Soares relembrou ainda que experiências negativas do passado reforçam a cautela atual.
“O Ubiratan sofreu muito com a perda de patrimônio, e isso marcou quem ainda cuida do clube”, afirmou.
“Por isso, digo com toda clareza: hoje é difícil competir sem estrutura e recursos. É inviável voltar ao futebol profissional neste momento”, completou.
Apesar do cenário, o dirigente destaca que o foco está na formação de atletas.
“Estamos estruturando nossa base com bons jovens. Atualmente, temos nove jogadores atuando fora de Dourados, o que mostra que estamos no caminho certo”, disse.
Soares acredita que o trabalho nas categorias de base pode abrir portas para novos investimentos no futuro. “Vamos seguir investindo na base, que é o futuro. Com esse trabalho, podemos apresentar o projeto a empresas e fortalecer o clube. Tenho certeza de que, com um investidor sólido, poderemos voltar ao futebol profissional de forma estruturada”, concluiu.


