Focos do mosquito têm sido encontrados em caixas d'água
A Força Nacional do Sistema Único de Saúde desembarca nesta quinta-feira (19) em Dourados para reforçar o enfrentamento à chikungunya nas aldeias da Reserva Indígena, onde o cenário é tratado como epidêmico. Aulas nas escolas foram suspensas pela comunidade indígena nesta quarta-feira (18).
A mobilização ocorre após a confirmação de quatro mortes pela doença e o avanço expressivo de casos nas comunidades indígenas.
O Ministério da Saúde informou que acompanha a situação de perto e mantém, desde a semana passada, equipes técnicas nas aldeias Jaguapiru e Bororó. O objetivo é estruturar um plano de ação integrado com a Prefeitura de Dourados e o Governo do Estado.
As ações de contenção já estão em andamento. Nas duas primeiras semanas de março, cerca de 100 agentes de saúde e de endemias atuaram diretamente nas aldeias, com:
- Visitas a mais de 2.200 residências
- Mutirões de limpeza
- Instalação de armadilhas para ovos do mosquito
- Borrifação de inseticidas para controle do vetor
Reserva concentra casos e mortes
Até o momento, a Reserva Indígena contabiliza:
- 407 casos notificados
- 202 confirmados
- 181 em investigação
- 24 descartados
- 4 mortes confirmadas
As vítimas são:
- Mulher, 69 anos (Aldeia Jaguapiru – 26/02)
- Homem, 73 anos (Aldeia Jaguapiru – 09/03)
- Bebê, 3 meses (Aldeia Bororó – 10/03)
- Mulher, 60 anos (Aldeia Jaguapiru – 12/03)
Área urbana também preocupa
Na região urbana de Dourados, os números também são elevados em 2026:
- 912 notificações
- 379 casos confirmados
- 383 exames aguardando resultado
- 150 descartados
Apesar disso, não há mortes registradas fora da Reserva Indígena.
Incidência nas aldeias é proporcionalmente maior
Mesmo com população estimada em cerca de 20 mil habitantes — bem menor que os aproximadamente 264 mil moradores da área urbana —, a incidência da doença nas aldeias é significativamente mais alta.
Os dados atuais já superam todo o ano de 2025, quando foram registrados 184 casos confirmados e uma morte em todo o município, incluindo a Reserva Indígena.
A chegada da Força Nacional do SUS deve reforçar as estratégias emergenciais para conter a disseminação da doença e reduzir novos casos na região.