O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou nesta terça-feira que a Polícia Federal abriu uma investigação para apurar a origem do metanol usado para batizar bebidas alcoólicas no Estado de São Paulo. Segundo ele, é possível que essa rede de distribuição da substância atue também em outros Estados.
Em São Paulo, já são pelo menos 22 casos entre os supeitos e os confirmados. O governador Tarcísio de Freitas anunciou cinco mortes relacionadas ao consumo de metanol: uma já comprovada por bebida adulterada e outras quatro em apuração.
O Ministério da Saúde afirmou que, até o momento, não há sinais de novos casos. A Polícia Federal acrescentou que não foi identificada nenhuma marca ou importação específica ligada às ocorrências.
🔎 O que é o metanol? É uma substância altamente inflamável, tóxica e de difícil identificação. A ingestão, inalação ou até mesmo o contato prolongado com metanol podem causar náusea, tontura, convulsões, cegueira e até levar à morte.
👉 Como ocorre o batismo das bebidas? Criminosos falsificam as garrafas de marcas famosas de bebidas alcoólicas, como gin e vodca, substituindo parte do conteúdo por metanol. Em seguida, o produto é comercializado. Ao ingerir a bebida contaminada, as pessoas podem levar várias horas para apresentar os primeiros sinais de intoxicação, que incluem cólica muito forte e perda de visão.
Segundo o ministro, o "número elevado e inusitado" de intoxicações por metanol em São Paulo chamou a atenção porque foge do padrão, pois, normalmente, a ingestão da substância ocorre por pessoas em situações de vulnerabilidade.
Diante desse cenário, um sistema do governo federal que recebe informações de todo o país quando há intoxicação por causas desconhecidas emitiu um alerta nacional.
No sábado, a Secretaria de Defesa do Consumidor divulgou uma nota técnica para todos os estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas para tomarem cuidado com bebidas que pudessem estar contaminadas - atentando, por exemplo, para rótulo ou embalagem com aspecto diferente.
A fiscalização já começou: os estabelecimentos onde se identificou que havia bebida contaminada vão receber notificação do Ministério da Justiça para descobrir os fornecedores, quem manipulou as bebidas e que tipo de bebida as vítimas consumiram.